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Cerca de 2,4 milhões de brasileiros vivem com autismo, e especialistas defendem informação responsável sobre o espectro

O autismo tem ganhado cada vez mais visibilidade nas redes sociais e na cultura popular. Vídeos que mostram talentos específicos, rotinas organizadas ou características consideradas “geniais” de pessoas no espectro ajudam a ampliar a discussão sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, especialistas alertam que essa abordagem, muitas vezes romantizada, pode acabar ocultando desafios reais enfrentados por pessoas autistas e suas famílias.

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Estimativas sobre o TEA no Brasil e no mundo

De acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 2,4 milhões de brasileiros vivem com Transtorno do Espectro Autista, número baseado em projeções a partir da prevalência observada internacionalmente. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que uma em cada 100 crianças no mundo está no espectro autista, embora estudos mais recentes indiquem prevalências ainda maiores em alguns países.

Os riscos da romantização do autismo

O aumento da visibilidade do tema tem aspectos positivos, como a ampliação do debate sobre inclusão e diagnóstico. Entretanto, a chamada romantização do autismo — quando a condição é retratada apenas por características positivas ou curiosas — pode criar uma percepção distorcida da realidade.

Desafios cotidianos e demandas por suporte

Segundo Roseli Filizatti, professora do curso de Psicologia da Wyden, essa visão simplificada pode dificultar a compreensão da complexidade do transtorno. “A maior parte das famílias enfrenta desafios importantes no cotidiano, que vão desde dificuldades de comunicação e socialização até questões relacionadas à autonomia e à adaptação escolar. Quando o autismo é retratado apenas de forma idealizada, corre-se o risco de invisibilizar essas demandas e reduzir o debate sobre políticas públicas e suporte adequado”, afirma.

O que é o TEA e por que o espectro é amplo

O TEA pode apresentar várias características, como alterações no desenvolvimento neurológico que podem afetar comunicação, interação social e comportamento. Porém, o espectro é amplo e inclui diferentes níveis de suporte, o que significa que cada pessoa autista pode apresentar necessidades e manifestações distintas.

Diagnóstico precoce e acompanhamento multidisciplinar

Para muitas famílias, o caminho até o diagnóstico e o acesso ao acompanhamento multidisciplinar — que pode envolver psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos e pedagogos — ainda é marcado por obstáculos. Dados do Ministério da Saúde indicam que o diagnóstico precoce e a intervenção especializada são fatores importantes para o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa autista.

Conscientização com responsabilidade informativa

Roseli Filizatti destaca que o debate público precisa equilibrar conscientização e responsabilidade informativa. “É fundamental valorizar as potencialidades das pessoas autistas, mas sem ignorar os desafios que fazem parte da realidade de muitas famílias. Informação qualificada ajuda a combater estigmas e garantir que as necessidades de suporte sejam reconhecidas pela sociedade”, explica.

Leis, direitos e a necessidade de efetividade

Nos últimos anos, o Brasil também avançou na legislação voltada ao tema. A Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, reconhece a pessoa com TEA como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, garantindo direitos relacionados à saúde, educação e inclusão social. Ainda assim, especialistas apontam que a efetividade dessas políticas depende da ampliação da rede de atendimento e da formação de profissionais capacitados.

Mais do que visibilidade, políticas públicas e acolhimento

Para a psicóloga, ampliar o debate com base em informação científica e relatos reais é fundamental para construir uma sociedade mais preparada para acolher as diferenças. Mais do que visibilidade nas redes sociais, famílias e pessoas no espectro autista precisam de políticas públicas consistentes, acesso a diagnóstico precoce e suporte contínuo ao longo da vida.


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