Instituto Marcos Hacker de Melo traz para Recife “A alma humana, você e o universo de Jung” após sucesso absoluto em SP, com mais de 93 mil visitantes
Quem poderia imaginar que uma exposição com o objetivo de convidar o visitante ao autoconhecimento, inspirada na obra do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875–1961), mobilizaria mais de 93 mil pessoas em São Paulo, conquistando duas prorrogações no MIS – Museu da Imagem e do Som? Esse é o feito de A alma humana, você e o universo de Jung, que será inaugurada para o público na quinta-feira, 9 de abril, no Instituto Marcos Hacker de Melo, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Chegada ao Recife e alinhamento com o propósito do Instituto
“Visitei a mostra em São Paulo já nas primeiras semanas, em novembro do ano passado, e me apaixonei. Desde então, venho buscando viabilizar a itinerância da exposição para Recife/PE, já que o objetivo está totalmente alinhado ao trabalho que realizamos no Instituto Marcos Hacker de Melo, que tem o propósito de desenvolvimento humano e transformação de vidas”, afirma Maria Aparecida Hacker de Melo, fundadora da instituição que leva o nome de seu filho Marcos (1986–2020).
Uma experiência simbólica em três dimensões
A exposição foi recriada para que o visitante percorra a psique humana de forma simbólica e imagética, por meio de instalações pensadas para dialogar em três dimensões:
- Pedagógica, com explicações acessíveis dos conceitos criados ou desenvolvidos por Jung;
- Sensorial, já que cada instalação pode provocar diferentes sensações;
- Provocativa, com perguntas que convidam à introspecção, movimento essencial para o autoconhecimento.
Todos os conteúdos foram inspirados na cosmovisão de Carl Gustav Jung, fundador da Psicologia Analítica, e validados pela curadoria do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa, fundado por Waldemar Magaldi e Simone Magaldi.
Da idealização ao sucesso e a itinerância
Para a idealizadora e realizadora da exposição, Luciana Branco, é emocionante ver a iniciativa ganhar a estrada após o sucesso em São Paulo. “Temos recebido centenas de pedidos de itinerância do público de todo o Brasil. Estamos muito felizes em iniciar essa viagem por Recife, em um instituto ligado ao desenvolvimento humano”. Segundo Luciana, se estivesse vivo, Jung ajudaria a entender muitos dos desafios contemporâneos.
Integração dos opostos e saúde psíquica
O pensamento junguiano oferece uma perspectiva de mundo integrado. “Não há indivíduo sem sociedade, consciência sem inconsciente, dor sem prazer, sintoma sem cura. Luz e sombra coexistem e é a partir da integração dos opostos que se pode vislumbrar uma vida digna de ser vivida na inteireza e em prol de todos”, afirma.
Equipe criativa e produção
Assinam a criação da exposição, ao lado de Luciana Branco, Flavio Vieira e Camila Whitaker. A produção executiva é de Naiclê Leônidas.
Contexto e relevância para a saúde mental
Segundo estimativa global da OMS, o Brasil é o país com maior proporção de pessoas ansiosas do mundo (9,3% da população) e o segundo das Américas com maior prevalência de depressão. Da psiquiatria contemporânea às filosofias mais antigas, o autoconhecimento é apontado como passo fundamental para o restabelecimento da saúde mental.
O percurso começa pelos sintomas
Na exposição, é a partir dos sintomas que o visitante entra na psique humana. Para Jung, tudo o que vive no inconsciente encontra uma forma de se manifestar, frequentemente por meio de sonhos, sincronicidades, expressões simbólicas e também por sintomas físicos, psíquicos, sociais e ambientais. “Como estamos em um momento altamente sintomático, escolhemos começar a contar essa história pelas dores contemporâneas”, explica Luciana.
Conceitos junguianos e instalações ao longo da visita
“A psicologia de Jung nos ajuda a perceber que o que chamamos de ‘vida comum’ — aquela cheia de tarefas e desafios diários — na verdade pode ser uma porta para o inconsciente e seus mistérios. Ao englobarmos isso, podemos viver de forma mais harmoniosa, aberta e cheia de sentido”, afirmam os curadores Waldemar e Simone Magaldi, no texto de abertura.
Para investigar simbolicamente a alma humana, o time convidou artistas e pensadores brasileiros diversos para a produção das obras. Em Sintomas, o público escolhe por qual caminho seguir (livrando-se rapidamente deles ou dialogando com eles). Nesse espaço, encontra uma frase emblemática de Tom Zé. No Inconsciente, o visitante conhece o conceito pela perspectiva junguiana e o que o diferencia de Freud.
Na continuidade do percurso, surgem fundamentos centrais da obra de Jung:
- Arquétipos e Imagens Arquetípicas, representados por obra de Viera de Xangô;
- Mitos, quando um mesmo tema é retratado em cinco culturas e tradições, em obra de Tania Sassioto em parceria com a analista junguiana Daniela Euzébio;
- Anima e Animus, em vídeo arte criada por Flavio Vieira, desenvolvida com Inteligência Artificial em parceria com a Treehouz;
- Sombras, com obra de Moara Tupinambá;
- Complexos, representados em uma vídeo-dança da bailarina Vanessa Hassegawa com influência da analista junguiana Ana Paula Maluf;
- Persona, instalação composta por 1125 máscaras de gesso feitas voluntariamente por estudantes do IJEP;
- Ego, com representação regional da artista artesã Neide Lopes;
- Expressões Simbólicas, com referência ao trabalho integrado da psiquiatra brasileira Nise da Silveira com Jung;
- Associação de Palavras, ferramenta analítica em representação simbólica e interativa criada pela Tigor;
- Sonhos, com reflexões de Sueli Carneiro, Ailton Krenak, entre outros;
- Alquimia, em corredor dedicado que reúne a obra Decantador de Sonhos, de Mariana Guardani, e ilustrações do Rosarium Philosophorum (século XVI) recriadas pela aquarelista Isabela Amado, com textos explicativos da psiquiatra e analista junguiana Célia Mello;
- Biografia de Jung, narrada por fatos e também por suas viagens, simbolizada em escultura em forma de trança criada por Camila Whitaker.
A exposição conta ainda com instalações relacionadas ao conceito de Sincronicidade e ao O Livro Vermelho, ambas com obras do artista carnavalesco Victor Santos. Uma experiência sonora de encontro com o Si-mesmo finaliza a visita.
Presença pernambucana com Neide Lopes
Reconhecida como uma das principais mestras do mamulengo em Pernambuco, Marinês Teresa do Nascimento Silva, conhecida como Neide Lopes, é um dos nomes convidados. Para a mostra, a artesã criou um mamulengo original que reúne características femininas e masculinas para representar, simbolicamente, o Ego.
“Estou imensamente honrada por ter uma peça minha fazendo parte dessa exposição em homenagem a Jung. É uma mostra que reúne arte, cultura e ilustrações representando o imaginário e o mundo da fantasia, onde esse universo ganha cores e formas e nos leva a refletir sobre a criatividade e o imaginário de cada ser humano”, destaca.
Nascida em Glória do Goitá, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, Neide Lopes construiu uma trajetória de mais de três décadas dedicadas à arte do mamulengo. Viúva do Mestre Zé Lopes, tornou-se referência na bonecaria popular, com prêmios, participações em festivais nacionais e internacionais e presença constante na Fenearte. Mestra da cultura popular, seu trabalho também se destaca pela valorização da identidade negra, das figuras do cotidiano nordestino e pela transmissão de saberes tradicionais às novas gerações.
Muitas vozes e a visão multicultural de Jung
Jung foi um pensador interessado em diferentes culturas e tradições e, já no século passado, desconfiava da ideia de hegemonia branca europeia. “Nós, os europeus, não somos as únicas criaturas do mundo. Somos apenas uma península da Ásia, e naquele continente há velhas civilizações onde as pessoas treinaram suas mentes em psicologia introspectiva durante milhares de anos, enquanto nós começamos com a nossa psicologia não ontem, mas hoje de manhã…”, afirmou o psiquiatra, que visitou mais de 15 países em busca da alma humana.
Essa busca deu origem ao conceito de inconsciente coletivo. Apesar de ter recebido títulos de Doutor Honoris Causa em Ciências em universidades como Harvard, Oxford, Clark e Calcutá, além de reconhecimento de instituições como a Sociedade Real de Medicina, seu destemor em dialogar com o que a ciência não explica faz com que ainda hoje seja rotulado por alguns como “místico”.
“Tive que estudar coisas orientais para entender certos fatos do inconsciente… Tive que estudar não só literatura chinesa e hindu, como também literatura sânscrita e manuscritos latinos de origem desconhecida até mesmo de especialistas. Até que não se adquiram tais conhecimentos, continuarei não passando de um feiticeiro”, afirmou.
Realização e apoios
A exposição é uma realização do hub de comunicação [EM BRANCO], com curadoria do IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa. Conta com apoio do Museu de Imagens do Inconsciente, Tigor e Treehouz.
Serviço
Exposição A alma humana, você e o universo de Jung
Onde Instituto Marcos Hacker de Melo (Centro Cultural MHM) – Av. Domingos Ferreira, esquina com a Rua Tenente João Cícero, nº 258, Boa Viagem – Recife
Horário de funcionamento todos os dias, das 9h às 19h
Ingressos R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), na bilheteria do Instituto MHM ou no site Ticket Mais: https://ticketmais.com.br/evento/view/146904/abril-instituto-marcos-hacker-de-melo
Gratuidade ingressos gratuitos às terças-feiras.
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