Golpe do “falso gerente” avança no Brasil, alerta especialista
O golpe do “falso gerente de banco” segue em expansão no Brasil e já impacta milhões de pessoas em todas as regiões do país. A fraude, que combina engenharia social, pressão psicológica e uso indevido de dados, tem avançado de forma consistente tanto nas capitais quanto no interior. De acordo com a Serasa Experian, o país registrou 6,9 milhões de tentativas de fraude no primeiro semestre de 2025, o equivalente a uma ocorrência a cada 2,3 segundos, com o setor bancário entre os principais alvos. Já levantamento da Febraban aponta que o percentual de brasileiros que sofreram golpes ou tentativas subiu de 33% para 38% entre setembro de 2024 e março de 2025. Outro estudo, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública em parceria com o Datafolha, indica que cerca de 24 milhões de brasileiros foram vítimas de fraudes financeiras envolvendo Pix ou boletos falsos em um período de 12 meses.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Nordeste registra forte crescimento das tentativas de fraude
O avanço dessas fraudes em regiões como o Nordeste chama atenção. Mais de 1,4 milhão de tentativas de fraude foram registradas no primeiro semestre de 2025, com destaque para a Bahia, que concentrou 366,8 mil ocorrências e chegou a registrar uma tentativa a cada 42 segundos, seguida por Pernambuco, com 256,9 mil casos, e Ceará, que contabilizou 240,3 mil registros, incluindo a capital Fortaleza. No Piauí, onde está Teresina, foram 71,3 mil tentativas no mesmo período. Esse cenário reforça o Nordeste como uma das regiões com maior crescimento proporcional de golpes digitais, impulsionado pela expansão do acesso bancário e pelo uso massivo do Pix.
Sudeste lidera em volume de fraudes no país
No Sudeste, região que concentra o maior volume absoluto de fraudes no Brasil, o cenário também é expressivo. Em Minas Gerais, foram registradas mais de 302 mil tentativas de fraude apenas no primeiro trimestre de 2025, evidenciando a intensidade do problema em grandes centros urbanos. Já no interior de São Paulo, cidades como Campinas e Araçatuba refletem a interiorização dos golpes, com crescimento contínuo dos registros de estelionato digital. A região Sudeste responde por cerca de 47,2% das ocorrências nacionais, liderando o ranking em volume.
Norte avança com a ampliação da conectividade e dos serviços digitais
Na região Norte, estados como Pará, com destaque para Belém, e Amazonas também acompanham a tendência de crescimento das fraudes digitais. Ainda que com menor volume absoluto em comparação a outras regiões, o avanço é impulsionado pelo aumento da conectividade e pela expansão dos serviços financeiros digitais, o que amplia o campo de atuação de criminosos especializados em engenharia social.
Como funciona o golpe do falso gerente de banco
Nesse contexto, o golpe do falso gerente se destaca por explorar o comportamento das vítimas. A abordagem costuma começar com uma ligação ou mensagem em que o criminoso se apresenta como funcionário do banco e alerta sobre uma suposta movimentação suspeita. Sob pressão e medo, a vítima acaba fornecendo dados sensíveis ou seguindo instruções que permitem o acesso à conta. Segundo Khayam Ramalho, advogado e professor de Direito da Wyden, trata-se de uma fraude sofisticada, baseada na manipulação psicológica. “É uma engenharia social estruturada, em que o criminoso utiliza urgência e credibilidade para induzir a vítima ao erro”, explica. Ele destaca que o golpe pode envolver crimes como estelionato, falsidade ideológica e até violações à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de reforçar que, apesar dos avanços legislativos, ainda há desafios na integração entre normas e na responsabilização de agentes envolvidos.
Dicas de prevenção e o que fazer se você for vítima
A principal forma de prevenção continua sendo a informação. Especialistas alertam que bancos não solicitam senhas, códigos de verificação ou dados completos por telefone, WhatsApp ou SMS. Em qualquer situação suspeita, a orientação é interromper o contato e buscar os canais oficiais da instituição financeira.
- Não compartilhe senhas nem códigos de autenticação recebidos por mensagem.
- Evite realizar transações durante ligações com desconhecidos.
- Ative a verificação em duas etapas nos aplicativos do banco e do celular.
- Em caso de golpe, contate o banco imediatamente, bloqueie acessos e registre boletim de ocorrência.
Educação digital como resposta estrutural
Para Khayam Ramalho, o avanço desse tipo de crime reflete um desafio estrutural. “Não se trata apenas de segurança pública, mas de um fenômeno ligado à digitalização da sociedade. Combater essas fraudes exige não só legislação e investigação, mas também educação financeira e digital para toda a população”, conclui.
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