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El Niño de forte intensidade acende alerta para agricultura, abastecimento e rotina das famílias

A formação de um El Niño com potencial de forte intensidade em 2026 preocupa especialistas pelos efeitos sobre o regime de chuvas e pelo aumento do risco de eventos climáticos extremos no Brasil. Associado ao aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, o fenômeno pode provocar seca em algumas regiões, excesso de chuva em outras, ondas de calor e reflexos diretos na produção agrícola, no abastecimento de água e no preço dos alimentos.

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Por que o El Niño afeta também quem vive na cidade

Segundo Flávia Lourenço, professora do curso de Agronomia da Wyden, o tema exige atenção porque seus efeitos não ficam restritos ao campo. “Quando há mudança no padrão de chuvas e aumento das temperaturas, a agricultura é uma das primeiras áreas impactadas. Isso pode afetar a produtividade das lavouras, elevar custos de produção e, em alguns casos, chegar ao consumidor por meio da variação no preço dos alimentos”, explica.

Impactos por região do Brasil

Os impactos variam conforme a região do país:

  • Norte Tendência de redução das chuvas, queda no nível dos rios e maior risco de queimadas.
  • Nordeste Possível agravamento de períodos de estiagem e maior pressão sobre reservatórios.
  • Centro-Oeste Calor, baixa umidade e incêndios em áreas de vegetação como pontos de atenção.
  • Sul Maior risco de excesso de chuva, com possibilidade de enchentes, alagamentos e perdas agrícolas.

Sudeste e São Paulo lidam com instabilidade

No Sudeste, o comportamento costuma ser mais irregular, com alternância entre calor intenso, estiagem e episódios de chuva forte. Em São Paulo, essa instabilidade pode afetar culturas importantes para o estado, como cana-de-açúcar, citros, grãos, hortaliças e café. “Para o produtor paulista, o desafio está na imprevisibilidade. A chuva mal distribuída e as altas temperaturas podem aumentar a necessidade de irrigação, favorecer pragas e doenças e dificultar o manejo do solo. Por isso, acompanhar previsões climáticas e adotar práticas preventivas é fundamental”, afirma Flávia.

Medidas recomendadas para reduzir prejuízos no campo

Entre as medidas indicadas ao setor agrícola estão:

  • Uso racional da água
  • Conservação do solo
  • Manutenção de cobertura vegetal
  • Planejamento do calendário de plantio
  • Acompanhamento técnico

Segundo a professora, essas ações não eliminam os riscos, mas ajudam a reduzir prejuízos.

Cuidados práticos na rotina das famílias

Os cuidados também devem chegar ao dia a dia em casa. Atitudes simples podem diminuir a pressão sobre recursos naturais:

  • Evitar desperdício de água
  • Reutilizar água quando possível
  • Manter caixas d’água limpas e vedadas
  • Reduzir consumo desnecessário de energia em dias muito quentes
  • Não realizar queimadas

Outro cuidado importante é preservar áreas verdes. Jardins, hortas domésticas e árvores ajudam a amenizar o calor, melhorar a umidade do ar e tornar os ambientes mais confortáveis, especialmente em períodos de calor intenso e baixa umidade.

Campo e cidade estão conectados

“O El Niño mostra como campo e cidade estão conectados. Alterações no clima podem interferir na produção agrícola, no abastecimento, nos custos dos alimentos e no uso de recursos naturais. Por isso, informação, planejamento e prevenção são essenciais para atravessar períodos de maior instabilidade climática”, conclui Flávia.


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