Especialistas reforçam sinais do TDAH e importância do diagnóstico
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento que começa na infância, mas pode persistir na vida adulta. Ele está relacionado a diferenças no funcionamento cerebral, sobretudo em áreas ligadas à atenção, controle de impulsos e funções executivas. De acordo com a Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA), o TDAH é mais comum em 6% dos pacientes a partir dos 45 anos e afeta 5,2% dos indivíduos na faixa etária de 18 a 44 anos. Esses números ajudam a compreender que o transtorno não é “falta de esforço” ou “preguiça”, já que pode haver dificuldade para manter o foco, se organizar, controlar a impulsividade e regular a própria energia.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Como o TDAH é identificado na prática clínica
O médico neurologista do IDOMED, Leonardo Halley, destaca que “durante décadas o TDAH foi classificado pelo comportamento observável, desatenção, hiperatividade, impulsividade, usando os critérios do DSM”. Ele acrescenta que os medicamentos mais usados, como o metilfenidato, agem principalmente na dopamina e na noradrenalina. Além disso, o processo de identificação do TDAH é clínico e muitas vezes feito em conjunto com psiquiatra, psicólogo e neurologista. A avaliação pode incluir entrevista com a pessoa e, quando criança, com responsáveis e escola, para entender a história desde a infância. Também podem ser aplicadas escalas e questionários validados, como SNAP-IV, ASRS e Conners, entre outros métodos que vêm sendo aprimorados.
Critérios de gravidade segundo o DSM-5-TR
Atualmente, a gravidade do TDAH é definida pelo DSM-5-TR de acordo com o número de sintomas e, principalmente, o nível de prejuízo na vida da pessoa. A professora do curso de Psicologia da Wyden, Bianca Lopes, explica que o transtorno pode ser:
- Leve quando há poucos sintomas além do mínimo exigido para o diagnóstico e os prejuízos causam pouco impacto na vida social, escolar ou profissional.
- Moderado quando os sintomas e prejuízos funcionais ficam entre “leve” e “grave”, sendo este o nível mais comum.
- Grave quando muitos sintomas causam prejuízo marcante em múltiplas áreas da vida, como reprovação escolar, demissões frequentes ou conflitos intensos.
Sinais de atenção que merecem observação
É importante ficar atento a sinais relevantes, como:
- Organização e prazos dificuldade para planejar tarefas, estimar tempo, cumprir prazos e não perder objetos.
- Distração facilidade para se distrair, hábito de “sonhar acordado” em aula ou reunião e dificuldade para finalizar o que começou.
- Impulsividade interromper os outros, tomar decisões sem pensar nas consequências ou ter dificuldade em esperar a vez.
- Regulação emocional e energia picos de irritação, frustração rápida e, no tipo hiperativo, sensação de estar “a mil por hora” ou inquieto mesmo em momentos de descanso.
Por que o diagnóstico profissional faz diferença
“Obviamente, o diagnóstico não é fechado apenas por esses sinais, por isso é fundamental buscar profissionais para uma avaliação integrada. Ao confirmar o diagnóstico, com estratégias, acompanhamento terapêutico e, quando indicado, tratamento médico, é possível ter uma rotina mais equilibrada”, finaliza Bianca.
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