Luana Tavares projeta força da mulher negra e ancestral em álbum de estreia
Moagem sintetiza em uma única palavra a condensação do mosaico cultural, afetivo, social e histórico processado artisticamente pela pernambucana Luana Tavares no primeiro álbum de estúdio da carreira. A cantora da cidade de Goiana, na Zona da Mata Norte, mói feridas raciais e ancestralidades para fazer do canto uma reação melódica pela valorização da identidade e contra o preconceito. Mói opressões de uma região subjugada pela monocultura colonial para exaltar a resiliência de povos marcados pela bravura e pelo vigor criativo. E extrai dessas sinuosidades atemporais com reflexos na pele e na alma uma reconstrução chamada Luana Tavares, nome de batismo do disco lançado em 1º de outubro de 2026 em todas as plataformas digitais.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Shows confirmados e time de participações
Duas apresentações já estão confirmadas: no dia 11, às 18h, no Parque da Jaqueira, e 24, às 16h, no Parque Santana. Integrante da Mostra Reverbo, Luana reúne nove músicas autorais (seis delas inéditas) e conta com participações de artistas prestigiados na cena musical pernambucana.
- Isaar (voz)
- Gabi da Pele Preta (voz)
- Jonatas Onofre (piano)
- Hélio Abulidu (voz)
- Juliano Holanda (voz, baixo e violão) também produtor e diretor musical
A produção artística é assinada por Mery Lemos. A percussão fica a cargo de Gilú Amaral, o trombone de Nilsinho Amarante, e as vozes do coro incluem Mery, Mayara Pêra e Vinícius Barros.
Força, pulsação e protagonismo negro
“É um disco em que trago um pouco mais de pulsação, de força. Conto sobre como essa bagagem de ser da Zona da Mata me atravessa e faz ver o mundo. As inquietações permanecem: de ser negra, de fazer minha poesia, do protagonismo negro. A proposta é enxergar outra Luana, construir outra mulher que eu ainda construo sempre a cada dia, com outra tônica, por esse momento da minha vida. Tenho a lua muito presente na minha vida e tenho faces que gostaria de descobrir. Esse disco vem dessa mistura, dessa vontade de dizer outras coisas, juntar pessoas. Eu não estou só, nunca estive sempre tive presente a minha ancestralidade”, explica a cantora.
Sonoridade com raízes afro e fio condutor
Com desenhos melódicos muito marcados pela percussão, o álbum dialoga com signos musicais da presença africana, da música de terreiro e da sonoridade da Zona da Mata norte pernambucana, berço de Luana e Juliano. Na contramão de álbuns que compilam singles independentes, Luana Tavares mantém um fio condutor. “É um disco que conta uma história. Eu acho que era importante Luana se firmar como compositora, pois ela tem um trabalho muito complexo de criação”, defende Juliano.
Temas, espiritualidade e afetos
A miscelânea construtiva torna Luana Tavares disco e pessoa a foz de uma pluralidade percebida nas faixas pela variedade de temas, cadências rítmicas, letras e reflexões. A cantora transita entre encorajamentos subjetivos de autoaceitação feminina a partir da força ancestral, elaborações sentimentais com alusões urbanas, cativações maternas com aspectos da origem afro, exaltação da territorialidade sob inspirações regionais e desventuras amorosas atravessadas pelo desejo.
Estão presentes a espiritualidade e a cultura afro-brasileira, as raízes da Zona da Mata, a luta antirracista, a feminilidade, os afetos e dilemas humanos Luana canta o coração e o mundo a partir das próprias dores e delícias.
Incentivo, discografia e faixas do álbum
Luana Tavares tem incentivo do Funcultura (Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura), por meio da Fundarpe e da Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco. O trabalho sucede Boca da Mata (registro ao vivo de estreia, em 2022) e Outro Astral (EP e álbum visual, de 2025). Entre os singles já lançados, entram no novo disco “Boca da Mata”, “Tomara” e “Minha Missão” (coautoria com Gabi da Pele Preta).
As inéditas são “Sabença”, “Espelho” e “Onde Está Meu Coração” (autoria própria), além de “O Amor Vai Nos Dizer” (com Jonatas Onofre e Alexandre Revoredo), “Lama” (com Juliano Holanda) e “Flerte” (com Hélio Abulidu).
Superação e mensagem contra marginalizações
O conjunto colore sonoramente a exuberância artística das canções e dá múltiplos tons a uma mensagem de superação contra marginalizações de gênero, cor e origem embutidas no disco. “Isso se reflete na minha criação de uma maneira que eu não deixo que nada me atropele. Tudo é desaguado nas composições. Consigo esbravejar contra tudo que me atravessa. Fazer esse disco faz parte disso, deixar um suspiro pra quem tá fazendo. A gente não pode morrer enquanto está tentando viver”, diz. Luana e a mata é para ouvir.
Faixa a faixa
- Sabença Quase uma conversa, uma súplica que busca nas palavras a sabedoria, com musicalidade marcada pela percussão e instrumentos de sopro muito presentes na Zona da Mata pernambucana. As palavras viram ritual, com a sabedoria como regente.
- Flerte Parceria com Hélio Abulidu, é uma canção mais sensual, com desejos e troca de vontades, entre cumbia e música latina. Um retrato da mulher que avança, energia de conquista e jogo do flerte.
- Minha Missão Feita com Gabi da Pele Preta, mantém a sonoridade latina e fala de autoaceitação. “Investir na gente é o caminho menos árduo de existir enquanto mulher negra”, crava Luana.
- Espelho Mulher diante de si, que se enxerga e reafirma a descoberta. Um ijexá em forma de oração sobre força e valorização, com mensagem recitada pela mãe biológica de Luana.
- Onde Está Seu Coração Canção que convida a refletir sobre ilusão, verdade, morte e o que é eterno. O coração aparece como bússola da existência e fala sobre estar presente em si.
- Boca da Mata Demarca o território de onde Luana vem, com forte imagética da natureza. É a boca que conta, canta e denuncia. Instrumentalmente, é a faixa mais robusta, com participações de todos os convidados.
- Tomara Com participação de Isaar, é um samba de roda sobre desejo, alteridade e o exercício de desejar coisas boas. É a música mais solar.
- Lama Parceria com Juliano Holanda, traz desabafo e questionamentos sobre sair da Zona da Mata rumo ao asfalto, sem perder referências. A “lama” aparece como metáfora do lugar que tentam evitar, mas que também faz brotar o bonito.
- O Amor Vai Nos Dizer Parceria com Jonatas Onofre e Alexandre Revoredo, sintetiza o álbum de forma suave, com versos sobre transformação e caminho. O amor surge como linha que entrelaça tudo e faz nascer novas chances de viver.
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