Boom dos consórcios no país exige cautela com regras de sorteio, parcelas e lances
O mercado de consórcios atingiu um novo recorde no Brasil e vem ganhando força como alternativa para comprar veículos, imóveis e serviços sem juros remuneratórios.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Recorde de participantes e vendas de cotas em 2026
Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o Sistema de Consórcios chegou a 13,36 milhões de participantes ativos em junho de 2026, crescimento de 12,6% em relação ao mesmo mês de 2025, quando eram 11,86 milhões. No primeiro semestre de 2026, foram comercializadas 2,82 milhões de novas cotas, alta de 14,6% na comparação anual.
Juros altos impulsionam a busca, mas o contrato precisa ser lido
Esse aumento ocorre em um cenário em que consumidores buscam alternativas para adquirir veículos, imóveis, máquinas, serviços e outros bens. Para o especialista Pedro Santos, sócio-diretor do Grupo Essential, o ambiente de juros elevados aumenta o interesse pela modalidade, mas o consumidor precisa avaliar as condições do contrato antes de decidir.
Sem juros não significa sem custos
“O consórcio pode ser uma alternativa para quem não tem urgência na aquisição do bem e consegue se planejar financeiramente. Mas é importante entender que não existe contemplação imediata garantida e que a ausência de juros não significa ausência total de custos, pois há taxa de administração e ainda pode incidir fundo de reserva e taxa de adesão no ato da contratação”, explica Santos.
Regras de contemplação por sorteio e lance
De acordo com o especialista, um dos principais cuidados está na análise do custo total da operação. O Banco Central também orienta que o consumidor observe detalhadamente os componentes da prestação e as regras de contemplação.
“A contemplação vai ocorrer por sorteio ou lance, conforme as regras do grupo e a existência de recursos. O pagamento antecipado de parcelas, por si só, não garante a contemplação. Antes de contratar, é importante entender quantas contemplações ocorrem por sorteio e por lance e como essas regras funcionam naquele grupo específico”, orienta Santos.
Parcelas podem mudar com a atualização do bem de referência
Outro cuidado é não avaliar a contratação apenas pelo valor da primeira parcela ou pela informação de que o consórcio não cobra juros remuneratórios. “É preciso analisar o custo total do contrato e não apenas a parcela inicial”, afirma o especialista.
As parcelas também podem sofrer alterações conforme a atualização do valor do bem ou serviço de referência, mecanismo usado para preservar o poder de compra do grupo ao longo do tempo. O Banco Central informa que o valor da parcela do fundo comum pode ser alterado caso o preço do bem ou serviço de referência seja alterado. “Sobre o ajuste das parcelas, ocorre obrigatoriamente a atualização com algum índice prefixado, em geral o INCC ou IPCA”, completa.
Como o lance afeta o saldo e as prestações
O consumidor também deve entender o impacto de um eventual lance no contrato. Um lance de R$ 50 mil em uma carta de crédito de R$ 100 mil, por exemplo, não significa automaticamente que o custo total do consórcio será reduzido pela metade. É necessário verificar no contrato como o lance será utilizado para antecipar ou amortizar prestações e qual será o saldo remanescente.
“O lance precisa ser analisado dentro da estrutura completa do contrato. E esse lance pode ocorrer com recurso próprio, lance embutido ou combinado, dependendo das regras de cada grupo”, explica Santos.
Verifique a autorização da administradora e busque educação financeira
Antes de assinar o contrato, o consumidor deve verificar se a administradora está autorizada a funcionar pelo Banco Central. Para Pedro Santos, o crescimento do mercado reforça a necessidade de educação financeira. “Quanto maior a popularização do consórcio, maior também a necessidade de o consumidor entender exatamente o que está contratando”, conclui.
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