Dia dos Pais: como acolher o luto em uma data marcada por memórias e emoções
Enquanto para muitas famílias o Dia dos Pais é motivo de celebração, para outras pessoas a data desperta sentimentos de tristeza, saudade e até ansiedade. A ausência do pai, seja por falecimento, afastamento ou outros rompimentos, costuma ficar ainda mais evidente em um período em que campanhas publicitárias, homenagens e encontros familiares reforçam a presença da figura paterna.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Por que datas comemorativas podem intensificar o luto
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o luto é uma resposta natural à perda e faz parte da experiência humana. Embora a maioria das pessoas consiga se adaptar ao longo do tempo, estima-se que cerca de 10% das pessoas enlutadas desenvolvam o chamado Transtorno do Luto Prolongado, condição reconhecida pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11), caracterizada pela persistência de sofrimento intenso e dificuldade de retomar a rotina por um período prolongado.
O luto não é linear e pode reaparecer em datas simbólicas
De acordo com a coordenadora do curso de Psicologia da Wyden, Roseli Filizatti, é comum que datas simbólicas reativem emoções que pareciam já elaboradas. “O luto não acontece de forma linear e tampouco possui prazo para terminar. Datas comemorativas, aniversários e outras ocasiões marcantes costumam despertar lembranças importantes e intensificar sentimentos de saudade. Isso não significa que a pessoa esteja ‘voltando ao início’ do processo, mas sim vivenciando uma reação natural diante de uma data carregada de significado afetivo”, explica.
Respeitar o próprio jeito de viver a saudade
A especialista ressalta que cada indivíduo vivencia o luto de maneira única e que não existe uma forma correta de enfrentar esse momento.
“É importante respeitar os próprios sentimentos, sem se cobrar por estar feliz ou triste. Algumas pessoas preferem reunir a família e lembrar histórias; outras optam por viver o dia de forma mais reservada. Ambas as escolhas são legítimas quando ajudam no processo de elaboração da perda.”
Como enfrentar o Dia dos Pais durante o luto
Embora não exista uma fórmula para amenizar a dor da ausência, algumas atitudes podem tornar a data mais acolhedora.
- Permitir-se sentir as emoções sem culpa.
- Conversar com pessoas de confiança.
- Criar pequenos rituais de homenagem, como visitar um local significativo, preparar uma refeição que lembre a pessoa ou olhar fotografias.
- Evitar o isolamento prolongado caso isso aumente o sofrimento.
- Reduzir a pressão para participar de comemorações se você não se sentir preparado.
Cada pessoa ou grupo deve escolher o que e se deve fazer algo nesse momento. “Vivemos em uma sociedade que muitas vezes incentiva a esconder ou acelerar o sofrimento. No entanto, acolher as emoções e falar sobre elas é uma forma saudável de elaborar o luto. Não existe obrigação de celebrar uma data quando ela representa dor. O mais importante é cuidar de si mesmo com gentileza e respeitar o próprio tempo”, afirma Roseli Filizatti.
Quando procurar ajuda psicológica
Embora o sofrimento seja esperado diante da perda de alguém importante, alguns sinais indicam que o acompanhamento psicológico pode ser necessário.
- Tristeza intensa e persistente por muitos meses.
- Dificuldade de realizar atividades cotidianas.
- Isolamento social extremo.
- Perda completa do interesse pela vida.
- Sentimentos constantes de desesperança.
Segundo a especialista, buscar apoio profissional não significa fraqueza, mas um passo importante para recuperar a qualidade de vida. “A psicoterapia oferece um espaço seguro para que a pessoa possa expressar sua dor, compreender suas emoções e construir novas formas de conviver com a ausência. O objetivo não é apagar a saudade, mas permitir que ela deixe de impedir a continuidade da vida.”
Uma data para reconhecer a saudade com acolhimento
Neste Dia dos Pais, mais do que celebrar, a data também pode ser uma oportunidade para reconhecer que a saudade faz parte da história de muitas famílias. Respeitar o próprio processo de luto, acolher as emoções e buscar apoio quando necessário são atitudes fundamentais para transformar a lembrança em uma expressão de amor, e não apenas de sofrimento.
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