Virado no “mói” de coentro
Bom dia, boa tarde, boa noite, com muita alegria, queridos leitores!
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Cheguei por aqui para fazer uma coisa de que gosto desde sempre: conversar sobre comida. E, quando eu falo de comida, não estou falando apenas do que vai ao prato. Estou falando de gente, de memória, de cultura, de afeto. A partir de hoje, a cada quinze dias, este será o nosso ponto de encontro. Aceitei esse convite com alegria. Afinal, como diz o nome da coluna, estou mesmo virado no “mói” de coentro.
Nunca consegui medir a vida pelo relógio. Eu a reconheço pelos cheiros. Pelo perfume do café recém-passado. Pelo alho encontrando o azeite ou a manteiga de garrafa na panela. Pelo coentro picado na hora. Pelo almoço de domingo que reúne a família sem precisar de convite. É nesse universo que eu me sinto em casa.
Foi daí que nasceu esta coluna.
Quero dividir histórias que cabem dentro de uma panela, mas também aquelas que atravessam gerações. Uma receita nunca chega sozinha. Ela traz lembranças, sotaques, técnicas, costumes e pessoas que vieram antes de nós. Cada ingrediente tem uma origem. Cada preparo revela um pedaço da identidade brasileira.
Vamos viajar pelo Brasil sem sair da mesa. Conhecer ingredientes que muitos ainda não descobriram, conversar sobre quem planta, pesca, produz e cozinha, entender tradições que resistem ao tempo e observar como a cozinha contemporânea dialoga com tudo isso. Pernambuco estará sempre presente, porque é de onde falo e de onde aprendi tanta coisa. Mas o Brasil inteiro terá espaço por aqui.
O nome da coluna resume exatamente o que eu acredito. Estar virado no “mói” de coentro é viver a cozinha de corpo e alma. É se envolver com os temperos, com os aromas, com a criatividade e com a identidade do nosso povo. É uma expressão nossa, nordestina, carregada de humor e pertencimento. Não poderia existir um nome mais verdadeiro para este encontro.
Espero que você se sente à mesa comigo. Que a gente converse, aprenda e descubra novos sabores sem perder de vista aqueles que fazem parte da nossa história. Porque cozinhar, para mim, nunca foi apenas preparar uma refeição. É uma forma de preservar a cultura, aproximar pessoas e manter vivas as memórias que o tempo insiste em guardar.
Até a próxima.
Cesar Santos
Chef de cozinha
As opiniões contidas nesta coluna não refletem necessariamente a opinião do site Papo PE.
O Chef Cesar Santos é um dos principais nomes da gastronomia brasileira, reconhecido por valorizar os ingredientes, sabores e tradições do Nordeste. Fundador do Instituto Cesar Santos de Gastronomia Brasileira, atua na preservação da cultura alimentar e na formação de novos profissionais. Sua trajetória reúne décadas de dedicação à cozinha, à pesquisa e à promoção da gastronomia como patrimônio cultural.
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