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Agosto Dourado reforça a importância do acolhimento emocional durante a amamentação

O Agosto Dourado, campanha dedicada à conscientização sobre a importância do aleitamento materno, também pode ser um convite para olhar com mais atenção para as emoções que acompanham esse período. Além das mudanças físicas e de rotina após a chegada de um bebê, muitas mulheres convivem com expectativas sobre a maternidade e, especialmente, sobre a amamentação.

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Incentivo ao aleitamento e acolhimento precisam andar juntos

Para o professor de Psicologia da Wyden, Fabrício Otoboni, o incentivo ao aleitamento deve caminhar junto com o acolhimento. Isso porque a experiência não acontece da mesma maneira para todas as mulheres e pode envolver dúvidas, inseguranças, cansaço, frustrações e dificuldades que nem sempre são esperadas durante a gestação.

Amamentar sem obrigação e sem um modelo único de maternidade

“A amamentação pode ser um momento importante de proximidade, troca e construção do vínculo entre a mãe e o bebê. Mas é fundamental que esse processo seja vivido sem a ideia de obrigação ou de que exista apenas uma forma correta de exercer a maternidade”, explica Otoboni.

Quando a expectativa não bate com a realidade

Segundo o professor, quando a expectativa criada em torno da amamentação é muito diferente da experiência vivida pela mulher, podem surgir sentimentos de culpa e inadequação. Por isso, discursos de incentivo precisam considerar também os limites, as condições e a realidade de cada família.

A escuta como ponto de partida

“O acolhimento começa pela escuta. Em vez de perguntar apenas se aquela mulher está conseguindo amamentar, é importante também perguntar como ela está, como tem se sentido e de que maneira as pessoas ao redor podem ajudá-la”, destaca.

Rede de apoio e divisão de tarefas fazem diferença

Nesse cenário, a rede de apoio tem papel fundamental. Parceiros, familiares e pessoas próximas podem contribuir de maneira prática, compartilhando tarefas, ajudando nos cuidados cotidianos e oferecendo um ambiente em que a mulher se sinta segura para falar sobre seus receios e dificuldades sem medo de julgamento.

  • Compartilhar tarefas e reduzir a sobrecarga do dia a dia
  • Ajudar nos cuidados cotidianos com o bebê e com a casa
  • Oferecer um espaço seguro para conversar sem críticas

Vínculo não se resume ao aleitamento materno

Para Otoboni, também é importante compreender que o vínculo entre mãe e bebê não se resume ao aleitamento. A relação é construída no dia a dia, por meio do cuidado, da presença, do contato, da atenção às necessidades da criança e das diferentes formas de interação.

“Associar o vínculo exclusivamente à amamentação pode aumentar ainda mais a cobrança sobre mulheres que, por diferentes razões, enfrentam dificuldades ou não conseguem amamentar. O afeto e a construção de uma relação segura com o bebê acontecem de muitas maneiras”, afirma.

Saúde mental no pós-parto também precisa de atenção

O período após o nascimento também exige atenção à saúde emocional da mulher. Mudanças na rotina, privação de sono, novas responsabilidades e adaptações familiares podem tornar essa fase especialmente sensível.

Mães também precisam ser cuidadas

Por isso, durante o Agosto Dourado, além de informar sobre o aleitamento materno, a campanha pode contribuir para ampliar uma mensagem igualmente importante: mães também precisam ser cuidadas.

“Incentivar é diferente de cobrar. Quando existe informação, apoio e respeito à experiência de cada mulher, criamos condições para que esse momento seja vivido de forma mais saudável para a mãe, para o bebê e para toda a família”, conclui Fabrício Otoboni.


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