Percussionista entre os mais admirados do Brasil, Lucas dos Prazeres recebe título de Notório Saber da UPE
A atuação de quase quatro décadas do multiartista, arte-educador e mestre em cultura popular pernambucano Lucas dos Prazeres na valorização da arte e da história afrobrasileira será reconhecida, nesta quinta-feira (16), com a concessão do título de Notório Saber pela Universidade de Pernambuco (UPE). A comenda celebra a trajetória do percussionista, admirado nacionalmente, e amplia para a academia um trabalho já abraçado pelo público em palcos de Pernambuco, do Brasil e do exterior.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Reconhecimento à cultura popular e ao Quilombo dos Prazeres
O tributo também fortalece a missão do artista de reabilitar o centro educacional transformado em Quilombo dos Prazeres, no Morro da Conceição, como ponto de cidadania. A proposta se apoia na propagação de um método revolucionário e antirracista de aprendizagem pela cultura popular, criado há 40 anos por sua mãe e sua tia e atualizado pelo músico.
Solenidade descentralizada em Nazaré da Mata
A entrega do título será realizada, pela primeira vez, de forma descentralizada, na cidade de Nazaré da Mata, considerada a capital do maracatu de baque solto em Pernambuco e ligada à essência da carreira de Lucas dos Prazeres. “Este título não é apenas meu, é o reconhecimento da força do Quilombo dos Prazeres, da nossa ancestralidade e da cultura popular que resiste e se renova todos os dias”, pontua o artista.
A cerimônia acontece às 16h, no Campus Mata Norte, na Rua Amaro Maltês de Farias, e também homenageia outros artistas populares do estado pela contribuição à cultura pernambucana e brasileira.
Reaprender brincando e a educação pela prática cultural
O arte-educador recebe o título após uma passagem por Brasília, onde apresentou a professores, estudantes e gestores o método Reaprender brincando, atualização da Aprendizagem pela Prática Cultural. A metodologia foi criada para promover aprendizagem por meio de elementos da cultura popular e nasceu no Morro da Conceição a partir do trabalho de sua tia Maria Lúcia dos Prazeres e de sua mãe, Conceição dos Prazeres — duas mulheres negras e periféricas, referências na luta antirracista em Pernambuco e no Brasil.
Esse percurso também dialoga com a consolidação de políticas educacionais, como a Lei nº 10.639, que determina a inclusão obrigatória da cultura e da história afrobrasileira nos currículos escolares.
Mais do que arte na escola, um instrumento pedagógico
A metodologia não se limita a inserir arte e cultura em sala de aula. Ela estrutura o saber ancestral, popular e cultural como instrumento pedagógico para transmissão de conteúdo e aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento. A proposta une ensino e identidade de forma inclusiva, antirracista e representativa, evitando a abordagem meramente contemplativa da arte e colocando a vivência cultural como fonte para aprendizagem e desenvolvimento do senso crítico.
Ciranda, coco, maracatu e capoeira como ferramentas de aprendizagem
Expressões como ciranda, coco de roda, maracatu rural e capoeira aparecem como ferramentas pedagógicas ligadas a reflexões sobre tecnologias ancestrais, valores e princípios quilombolas, governança comunitária e estratégias de transformação social. As atividades também passam por escrita criativa, medicinas tradicionais e manifestações afropernambucanas, ampliando o repertório metodológico de educadores com uma base antirracista, inclusiva, representativa e plural ancorada na cultura popular.
Patrimônio imaterial e enfrentamento ao racismo estrutural
“É uma imersão prática e teórica que propõe refletir sobre a potência das expressões artísticas como caráter formador da cidadania e como estratégia de enfrentamento ao racismo estrutural na educação brasileira”, observa Lucas dos Prazeres. Para ele, a formação “traz para o centro do debate a preservação do patrimônio imaterial brasileiro”.
Cultura popular nas escolas e o personagem Zé Tamanquinho
O conteúdo Cultura popular nas escolas, apresentado com música e diálogo para estudantes e professores da rede pública, busca criar uma salvaguarda de brincadeiras e manifestações culturais, incentivando a perpetuação de princípios e valores civilizatórios transmitidos entre gerações afro-brasileiras. Nas aulas, Lucas dá vida ao personagem Zé Tamanquinho, brincante criado para repassar, de forma lúdica, saberes presentes nos ritmos, na dança e nas brincadeiras da tradição brasileira. A intenção do músico é levar o conteúdo para unidades de ensino de todo o país.
Guardião do saber e trajetória artística
Com 39 anos de trajetória, Lucas dos Prazeres é considerado um dos principais expoentes da percussão brasileira. Cantor, compositor, multi-instrumentista, produtor, diretor musical, bailarino, curador e arte-educador, ele é idealizador da Orquestra dos Prazeres, grupo percussivo de ação sociopolítica ancorado na sonoridade afro-indígena. Integra a cátedra Naná Vasconcelos da Universidade Federal Rural de Pernambuco, dirige a orquestra Tumaraca — encontro de nações de maracatu de baque virado da abertura do Carnaval do Recife — comanda o projeto Pernambuco Nação Percussiva, foi percussionista da equipe de Naná Vasconcelos por 12 anos e de Alceu Valença por 7 anos.
Agenda
- Evento Concessão do título Notório Saber em Cultura Popular a Lucas dos Prazeres pela UPE
- Data 16 de abril
- Horário 16h
- Local Campus Mata Norte da UPE, Rua Amaro Maltês de Farias, Nazaré da Mata
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