Avanços na anestesia reduzem riscos e desmistificam receios dos pacientes
A anestesia é um componente essencial da medicina e desempenha papel fundamental na segurança dos pacientes durante cirurgias, exames e tratamentos de diferentes complexidades. Somente no ano passado, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 14,7 milhões de cirurgias eletivas, conforme dados do Ministério da Saúde, o que evidencia a dimensão dos procedimentos que dependem da atuação anestésica. Apesar da sua ampla utilização e dos avanços da especialidade, a falta de informação e a persistência de alguns mitos ainda geram dúvidas, receios e até medo em muitas pessoas.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Mitos e medos comuns sobre anestesia
Entre as preocupações mais frequentes estão o medo de não acordar após o procedimento, de despertar durante a cirurgia e a crença de que anestesias realizadas na coluna, como a raquianestesia e a peridural, podem causar queda de cabelo. Embora esses receios sejam comuns, muitos deles se baseiam em mitos ou em situações raras, como explica o médico anestesiologista Alexandre Dubeaux, associado à Cooperativa dos Médicos Anestesiologistas de Pernambuco (Coopanest-PE).
Monitoramento e protocolos que reforçam a segurança
“O receio de acordar no meio de uma cirurgia está relacionado a um evento raro, que ocorre em aproximadamente um a dois casos a cada mil anestesias gerais. Além disso, quando acontece, o episódio não costuma envolver dor. Com os avanços da especialidade na administração de medicamentos anestésicos, aliados ao monitoramento contínuo dos sinais vitais e, quando indicado, do nível de atividade cerebral dos pacientes, esse risco se torna bastante remoto. Já em relação à queda de cabelo, ela está mais comumente associada ao puerpério ou a traumas cirúrgicos, e não ao ato anestésico em si”, explica Alexandre Dubeaux.
Recuperação mais previsível e individualização das doses
O monitoramento contínuo do paciente, associado aos protocolos de segurança adotados e à individualização das doses anestésicas, contribui não apenas para mais segurança, mas também para um despertar mais previsível, retorno mais rápido das funções cognitivas e maior estabilidade no período de recuperação.
Tipos de anestesia e quando cada um é indicado
Outro ponto que costuma gerar dúvidas entre os pacientes diz respeito aos diferentes tipos de anestesia e às situações em que cada técnica é indicada. Entre as principais modalidades estão:
- Anestesia geral
- Anestesia local
- Anestesia regional
- Sedação
A anestesia geral e a sedação podem utilizar medicamentos semelhantes, com diferenças relacionadas à dose, à profundidade do efeito e ao tipo de procedimento. Já as anestesias local e regional buscam bloquear a dor em áreas específicas do corpo, preservando, em geral, a consciência do paciente.
Anestesia local
A anestesia local consiste na aplicação de anestésicos em uma área limitada, diretamente no local do procedimento. Costuma ser indicada em intervenções de pequeno porte, como procedimentos odontológicos, suturas, remoção de pequenas lesões de pele e alguns procedimentos oftalmológicos e otorrinolaringológicos.
Anestesia geral
A anestesia geral induz a perda controlada da consciência e é utilizada em procedimentos que exigem maior complexidade, imobilidade ou controle mais amplo das funções do organismo. Nesse tipo de anestesia, o procedimento pode ser realizado sem dor e com monitoramento contínuo das funções vitais.
Anestesia regional
A anestesia regional, por sua vez, bloqueia a sensibilidade de uma área maior do corpo, como um braço, uma perna ou a parte inferior do tronco. Entre os exemplos estão bloqueios de nervos periféricos, raquianestesia e anestesia peridural.
Sedação
A sedação é amplamente utilizada em procedimentos diagnósticos e terapêuticos, como endoscopias e colonoscopias. Administrada geralmente por via intravenosa, ela pode ser utilizada isoladamente ou ser associada a uma anestesia regional ou local, aumentando o conforto do paciente durante o procedimento.
A importância da avaliação pré-anestésica
Além da escolha da técnica anestésica, a avaliação pré-anestésica é uma das etapas mais importantes do cuidado perioperatório. Ela permite identificar fatores de risco, planejar a anestesia de forma individualizada e reduzir a ocorrência de complicações durante e após o procedimento.
O que é avaliado na consulta
Nesta consulta, o médico anestesiologista avalia todo o histórico clínico do paciente, incluindo doenças pré-existentes, condição física, medicamentos em uso, alergias e até possíveis reações adversas a medicamentos já utilizados. Também são analisados aspectos relacionados à via aérea — ponto essencial para prever eventuais dificuldades de ventilação ou intubação — e a necessidade de exames complementares.
Orientações e norma do CFM
“A avaliação pré-anestésica é fundamental para a segurança do paciente. Nela, o médico anestesista realiza orientações e recomendações, identifica fatores de risco antes da cirurgia, corrige problemas clínicos potencialmente tratáveis e planeja a técnica anestésica mais adequada para o período intra e pós-operatório. Também é um momento para esclarecer dúvidas e reduzir a ansiedade do paciente. O que muitas pessoas não sabem é que o Conselho Federal de Medicina (CFM nº 1.802/2006) determina que antes de qualquer anestesia, exceto em situações de urgência e emergência, o médico anestesista conheça previamente as condições clínicas do paciente. Para procedimentos eletivos, a norma recomenda a consulta pré-anestésica antes da admissão hospitalar. Esta etapa contribui para a preservação da saúde, da segurança e do bem-estar do paciente”, finaliza o especialista.
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