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Lua de mel atrapalhada é tema de ópera com montagem inédita em português no Teatro de Santa Isabel

Pela primeira vez no Recife, a ópera cômica Il Campanello ganhará versão totalmente em português, a preços populares, durante temporada de quatro dias no Teatro de Santa Isabel, entre 3 e 6 de setembro. Reconhecida como uma das obras mais jocosas do italiano Gaetano Donizetti (1797-1848), a trama transita entre o surreal e o romantismo e mostra as peripécias do boêmio Enrico para atrapalhar a consumação do casamento da amada Serafina com Aníbal, um velho farmacêutico.

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Montagem inédita cantada em português

Um grande diferencial da montagem é o ineditismo de ser cantada integralmente em português, com músicas e recitativos (parte falada) traduzidos pelo maestro e professor da UFPE Sérgio Dias, à frente da direção musical e regência. Com elementos da commedia dell’arte e do teatro mambembe, a produção incorpora referências pernambucanas, como figurino com traços carnavalescos, o tradicional bolo de noiva (Patrimônio Cultural Imaterial de Pernambuco) no cenário da festa de casamento e expressões contemporâneas. Haverá ainda legendas para facilitar a compreensão da plateia.

Enredo e personagens

A história de Il Campanello, também conhecida como Il Campanello di Notte (A campainha da noite), começa com uma reunião na casa do farmacêutico Don Aníbal (Anderson Rodrigues e Matheus Alvarenga, que se revezam), onde ele também trabalha, para celebrar o casamento do anfitrião com a jovem donzela Serafina (Anita Ramalho e Virginia Cavalcanti). Os convidados compõem o coro da ópera. Além deles, estão a velha sogra, Madame Rosa (Monica Muniz) — de olho na fortuna do genro, adoraria estar no lugar da filha — e o servo Espiridião (Eudes Naziazeno), que ora ajuda, ora atrapalha o patrão.

Ópera acessível e para todas as idades

“Muita gente acha que ópera é algo da elite. Algumas obras clássicas, de fato, por serem em outras línguas, dificultam a compreensão. A falta de investimentos também interfere, pois diminui a quantidade de produções e provoca um distanciamento do público. Mas nosso espetáculo é acessível, engraçado e com uma temática do cotidiano que dialoga com todas as idades”, argumenta o diretor artístico Matheus Soares, que assina a produção geral ao lado de Yasmin Menezes.

Disfarces, campainha e confusões na noite de núpcias

As expectativas para a noite de núpcias são repetidamente atrapalhadas por Enrico (Luiz Kleber Queiroz e Calebe Faria), primo e ex-namorado de Serafina, ainda apaixonado por ela — sentimento que é correspondido. O texto simples, engraçado e cotidiano acompanha armadilhas criadas para adiar os planos do noivo, que viajará na noite seguinte para a leitura do testamento de uma tia falecida e ficará ausente por um mês.

Uma lei, três personagens e muitas risadas

Com múltiplos disfarces, Enrico toca seguidas vezes na campainha da casa para pedir ajuda com narrativas mirabolantes e hilárias, amparado em uma lei que proíbe farmacêuticos de negar assistência aos doentes. Ele finge ser três personagens diferentes para ocupar o noivo e impedi-lo de se demorar nos aposentos com Serafina antes da longa viagem. Essas artimanhas da madrugada já encantaram espectadores em várias línguas e agora chegam ao Recife pela primeira vez, com incentivo do Funcultura, da Fundarpe, da Secretaria de Cultura e do Governo de Pernambuco.

Referências francesas e estética inspirada na commedia dell’arte

Inspirada na peça francesa La Sonnette de Nuit, de Leon Levy Brunswick e Mathieu Barthélemy, Il Campanello herdou traços da ópera bufa italiana. Tipos da commedia dell’arte servem de inspiração para os figurinos, que também incorporam elementos carnavalescos — não de forma literal, mas como licença poética. “Escolhi ir na direção de um cenário mais impressionista, que busca capturar uma atmosfera poética, mais a sugestão da realidade e menos a imitação do mundo real com precisão fotográfica. Então aboli paredes, mas mantive as portas e outros elementos que possam sugerir as entradas e saídas para outros ambientes”, conta Marcondes Lima, diretor cênico e de arte.

Elenco, ensaios e adaptação com humor brasileiro

Ao todo, são 80 artistas sobre o palco para narrar as estratégias atrapalhadas de Enrico. Os ensaios começaram em maio e exigem intensa preparação musical e cênica. Cada núcleo (orquestra, coro, solistas) realiza estudos e marcações separadamente e, ao fim, se junta para compor o espetáculo. “Nossa montagem tem a vantagem de ser em português, o que dá ao público acesso completo ao texto e à compreensão da história. Essa escolha traz para o texto elementos abrasileirados e regionais, principalmente na substituição de expressões da língua italiana que não fariam sentido na tradução. Essas adaptações ajudam a manter o humor da história e criam uma cumplicidade deliciosa com a plateia”, conta a cravista e professora da UFPE Maria Aída Barroso, à frente da preparação do coro.

Serviço

Ópera Il Campanello, de Gaetano Donizetti


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