Outubro Rosa Pet: diagnóstico precoce pode fazer diferença no tratamento do câncer de mama em cães e gatos
O câncer de mama também faz parte da realidade dos animais de estimação. Cães e gatos podem desenvolver tumores mamários, que podem ser benignos ou malignos, e a identificação precoce de alterações pode fazer diferença nas possibilidades de tratamento e no prognóstico.
Thank you for reading this post, don't forget to subscribe!Outubro Rosa Pet e a importância do acompanhamento
Durante o Outubro Rosa, tradicional campanha de conscientização sobre o câncer de mama, a atenção também se volta à saúde dos pets. De acordo com Myriam Santos, médica-veterinária e professora da Wyden, o acompanhamento das mamas deve fazer parte dos cuidados de rotina com cadelas e gatas. “Nas cadelas, o câncer de mama é o tipo de neoplasia mais comum e, nas gatas, corresponde ao terceiro tipo mais frequente. Esses tumores podem ser benignos ou malignos”, explica a especialista.
Sinais de alerta que o tutor pode perceber em casa
O principal sinal que pode ser percebido pelo responsável é o aparecimento de um ou mais nódulos ou áreas de aumento de volume nas mamas. O problema é que, principalmente nas fases iniciais, o animal pode não demonstrar dor ou apresentar qualquer mudança de comportamento. Durante momentos de carinho ou escovação, o responsável pode identificar desde um pequeno nódulo até várias alterações ao longo da cadeia mamária.
Entre os sinais que merecem atenção, estão
- aumento ou endurecimento de uma mama;
- diferença de tamanho ou consistência entre as mamas;
- alterações nos mamilos;
- vermelhidão e mudanças na pele;
- feridas ou ulcerações sobre o nódulo;
- secreção pelo mamilo.
Quando a doença avança e por que não esperar sintomas
Em casos mais avançados, podem surgir perda de peso, redução do apetite, dor e dificuldade respiratória, especialmente quando ocorre disseminação do tumor para outros órgãos, como os pulmões. A recomendação, no entanto, é não esperar o aparecimento desses sintomas. “Um nódulo pequeno e aparentemente inofensivo já merece avaliação veterinária, pois pode ser maligno, especialmente em gatas”, alerta Myriam.
Diferenças entre cães e gatos nos tumores mamários
Embora cães e gatos possam desenvolver tumores mamários, existe uma diferença importante entre as duas espécies. “Nas cadelas, há uma proporção considerável de tumores benignos e malignos, além de uma grande variedade de tipos histológicos e comportamentos biológicos. Já nas gatas, a atenção precisa ser redobrada, pois mais de 90% dos tumores mamários são malignos e metastáticos, podendo atingir outros órgãos, especialmente os pulmões”, explica a veterinária.
Palpação regular das mamas e acompanhamento profissional
Segundo Myriam, não se deve esperar que o animal apresente sintomas para procurar atendimento. A prevenção pode ser incorporada à rotina com um gesto simples: a palpação regular das mamas. Cadelas possuem cinco pares de mamas, enquanto as gatas possuem quatro pares. A recomendação é realizar a avaliação quinzenalmente ou mensalmente, de maneira delicada, durante momentos de carinho ou escovação, observando diferenças de tamanho, consistência ou a presença de pequenos nódulos.
“É de extrema relevância fazer a palpação das mamas das gatas e das cadelas regularmente e, ao menor sinal de alteração, procurar um médico-veterinário. Um nódulo pequeno e aparentemente inofensivo já merece avaliação veterinária”, reforça.
A palpação em casa, entretanto, não substitui o acompanhamento profissional. Ela serve como ferramenta para identificar alterações que possam ser investigadas precocemente. E o cuidado não deve ser restrito às fêmeas: embora rara, a ocorrência em machos é possível, portanto eles também devem ser observados.
Castração e prevenção
A exposição hormonal ao longo da vida reprodutiva está entre os fatores relacionados ao risco de desenvolvimento de tumores mamários. Por isso, a esterilização precoce pode ter efeito preventivo.
Nas gatas, esse efeito é especialmente relevante. Segundo Myriam, a esterilização realizada antes do primeiro cio pode reduzir em até 90% o risco de desenvolvimento de tumor mamário. A decisão sobre o momento adequado para a castração deve ser discutida individualmente com o médico-veterinário, considerando as características e condições de saúde de cada animal.
Diagnóstico e tratamento em cães e gatos
Após o diagnóstico, o tratamento é definido de acordo com o tipo de tumor, seu tamanho, localização, número de mamas acometidas e, principalmente, com a avaliação de possíveis metástases. Segundo Rayssa Carvalho, médica-veterinária da Wyden, em cães e gatos a cirurgia é uma das principais formas de tratamento, especialmente quando a doença está localizada nas cadeias mamárias.
“Antes do procedimento, é realizada uma avaliação clínica completa e podem ser solicitados exames de sangue e de imagem, como radiografias de tórax e ultrassonografia abdominal, para verificar as condições gerais do animal e investigar a disseminação da doença”, explica.
Dependendo do tipo e do estágio do tumor, podem ser indicados outros tratamentos, como quimioterapia. A rotina dentro de casa pode mudar principalmente no período após a cirurgia. “O tutor precisa seguir rigorosamente as orientações, principalmente em relação à administração de medicamentos, alimentação, repouso e cuidados com a ferida cirúrgica. O animal não deve lamber ou traumatizar a região operada. Deve-se restringir atividades físicas quando recomendado e observar diariamente sinais como inchaço, vermelhidão intensa, secreção, sangramento, abertura dos pontos, dor ou alteração no comportamento”, orienta Rayssa.
Atenção redobrada em animais adultos e idosos
As neoplasias mamárias são mais frequentemente observadas em animais adultos e idosos, portanto a atenção deve aumentar com o avanço da idade. “Em cadelas, muitos casos são diagnosticados a partir da meia-idade, enquanto em gatas a doença também apresenta maior ocorrência em animais adultos e idosos. Contudo, mais importante do que estabelecer uma idade exata é manter o hábito de examinar regularmente as cadeias mamárias”, observa Rayssa.
Ela acrescenta que o diagnóstico de câncer não significa necessariamente perda de qualidade de vida. “Com acompanhamento veterinário adequado, muitos pacientes podem permanecer ativos e confortáveis durante o tratamento”, conclui.
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